Livre Power, Lda.

Outubro 14 2010

Em primeiro lugar quero agradecer os comentários encorajadores que algunas pessoas amigas têm feito ao novo visual do blog. É com muito gosto que continuo a melhorar a apresentação e a introduzir novos posts, sabendo que eles serão de alguma utilidade para pessoas que, como nós, têm vontade de saber mais sobre os assuntos relativos aos aerogeradores.
Deixa-me muito feliz saber que tenho amigos que, com regularidade, visitam o blog. Muitos são meus compatriotas e muitos também são do nosso querido país irmão, o Brasil. Há ainda "nuestros hermanos" de Espanha e da América Latina e ainda mais uns poucos espalhados pelos sete cantos do mundo: EUA, Angola, Moçambique, França, Cabo Verde, Itália, Alemanha, Reino Unido, Suíça, Rússia, etc.

O post de hoje tem em vista responder a duas questões que o amigo Belmiro teve a amabilidade de me colocar. Aliás, aproveito para dizer que, grande parte dos posts que vou fazendo surgem dessa forma. As vossas perguntas são a minha musa inspiradora... Obrigado!

Aqui estão elas:

"1ª. Supondo, que tenho uma bateria 12v 80Amp acabada de carregar, portanto carga a 100% e lhe ligo o inversor 12v/220v, quanto tempo levaria até descarregar se eu lhe ligar uma lâmpada de 100W?
2ª. Supondo que, o aerogerador, roda a uma velocidade constante, debitando em média entre 12 e 14 V, (penso que é a voltagem mais conveniente para carregar baterias) nesse caso não seria necessário o controlador de carga?"

Respondendo à primeira questão, é difícil dizer com segurança  o tempo que levaria a descarregar a bateria, porque há varias factores que podem influenciar a resposta. Passo a enumerar os principais. Desde logo o próprio estado em que se encontra a bateria. Se for nova acumula muito mais energia do que se tiver uns bons anos de vida em cima que a tenham sujeitado a muitas cargas e descargas. Neste último caso, mesmo que o controlador nos diga que ela está a 100% de carga, garanto que não vai durar mais de meia hora a esgotar a carga.

Atenção que o próprio inversor 12V DC/ 220V AC também consome energia no seu funcionamento e a sua eficiência nunca é a 100%, isto é, há sempre uma parcela considerável de energia que se perde no processo de transformação. De facto a generalidade dos inversores consome energia desde que estejam ligados (on), mesmo sem estarem a alimentar o que quer que seja. Este tipo de consumo varia directamente com a potência nominal do inversor. Uma parcela significativa da energia perde-se no processo de transformação sobre a forma de calor, por isso os inversores dispõem de sistemas de ventilação forçada, com termóstato, para não aquecerem demasiado. Estes sistemas também consomem energia.

Outro aspecto a ter conta é o facto de os inversores terem sistemas de protecção das baterias, desligando o fornecimento da energia quando a tensão da bateria baixa até determinados valores, por exemplo abaixo de 11,5V. Alguns desligam se a carga da bateria estiver a x% da sua capacidade total. A finalidade destes sistemas de protecção da bateria é evitar descargas muito acentuadas, que está provado encurtam a sua vida útil. Não devemos nunca esquecer que o custo das baterias é uma parte muito considerável do investimento total quando se está em presença de sistemas desligados da rede (off-grid).

A maneira como a bateria for carregada pode também influenciar o tempo que a lâmpada, ou outro aparelho consumidor, demora a descarregá-la. Se o processo de carga for lento demorará mais tempo a descarregar e o inverso também é verdadeiro.

Se o que pretendemos é iluminar áreas próximas do local dos acumuladores (baterias) o que recomendo vivamente é que a instalação seja feita com corrente de 12V DC, sem transformação com o inversor. Utilizando lâmpadas económicas de 12V, idênticas às lâmpadas economizadoras de 220V AC, só custam mais caro duas a três vezes para a mesma potência de iluminação, mas poupamos no custo de aquisição do inversor e sobretudo teremos grandes ganhos em termos de aproveitamento de energia.

Se pretendermos iluminar uma área bastante distante das baterias, que obriga à colocação de cabos de comprimento considerável, nesse caso poderá ser melhor optar por utilizar um inversor. Porquê? Porque a resistência à passagem da corrente eléctrica é tanto maior quanto maior for o comprimento do cabo e tanto menor quanto maior for o diâmetro do mesmo. Por outro lado quanto maior for a tensão da corrente menor é a resistência, logo a perda de energia.

Daí que, para termos energia de 12V DC num ponto distante das baterias, se quisermos reduzir as perdas de energia, teremos de despender muito dinheiro na compra de um cabo eléctrico de diâmetro elevado, podendo, nesse caso, ser preferível optar por um inversor, cabos mais finos e colocar lâmpadas económicas de 220V. A decisão, nestes casos, pode não ser fácil. Há que tomar em consideração factores económicos.

A resposta à segunda questão do amigo Belmiro é mais fácil. O controlador de carga é sempre necessário porque ele protege, entre outras coisas, a bateria do excesso de carga. Se a bateria estiver a receber carga continuamente, mesmo depois de estar totalmente carregada, corremos o risco de a danificar. Nessas situações o controlador impede a entrada de mais carga, protegendo a bateria. Vale bem a pena o investimento num controlador de carga, mesmo dos mais baratos. Recomendo, sobre este assunto, o post de 24 de Setembro com o título “Controlador de carga”.

É natural que surjam dúvidas relacionadas com as questões a que respondi. Nesse caso agradeço que as coloquem através dos comentários.

Arménio Carreira às 20:53

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